Archive for Março, 2011

Os novos desafios do Marketing através de campanhas virais móveis!

Na semana passada estive na OMexpo Madrid, feira de Marketing Online, que se realizava em paralelo com uma feira de comércio electrónico. Fiquei muito surpreendido com a qualidade e a dimensão da feira. Durante dois dias havia 7 salas de conferências, em simultâneo. O complicado era mesmo seleccionar as apresentações a assistir. Por vezes, chegava a ser doloroso, perder algumas excelentes conferências em detrimento de outras.

Depois destes dias em Madrid ainda participei TEDx O’Porto. Fui directamente do aeroporto para a casa da música. 🙂

Algo que ficou bem claro em Madrid era o interesse dos visitantes pelo marketing móvel. A sala de conferências Vodafone, estava sempre cheia. Muitas pessoas não conseguiam entrar e havia pessoas sentadas pelo chão e no meio dos corredores. A sala “móvel” foi a mas visitada da feira. Não me querendo alargar muito mais, gostaria de deixar três excelentes exemplos de Marketing Móvel. Três campanhas absolutamente virais e fantásticas.

 

Aplicação para iPhone desenvolvida pela Durex :

iButterfly – A aplicação que colocou meio Japão a caçar borboletas :

Paginasamarillas.es – Realidade aumentada :

 

26

03 2011

A ganância do PSD pelo poder afundou Portugal !

Ontem foi um dos dias mais terríveis para Portugal. O PSD reprovou o PEC IV na assembleia da república, abrindo caminho para a demissão do Primeiro Ministro e  a respectiva  dissolução do parlamento.

 

Porque razão é que esta é uma má decisão do PSD ( a pior decisão para o país ) é má e quais vão ser as consequências ?

Estando Portugal a ser alvo de ataques ferozes de especuladores e de pessoas que possuem interesses económicos que Portugal afunde, o país devia de estar mais unido que nunca. As medidas dos vários PEC são dolorosas. Entram nos bolsos de todos os portugueses e ninguém gosta de pagar mais impostos e ganhar menos. Muito menos os Portugueses, em que a visão não vaio muito além do seu umbigo. Todos sabemos que temos de dar sinais claros ao BCE e à União Europeia que estamos a fazer os possíveis e os impossíveis para melhorar a nossa situação financeira. São medidas impopulares. Mas são medidas necessárias.

O PSD não concorda com as medidas e nãos as aprova. Dizem que são demasiado duras para os Portugueses. Claro que são. Todos o sabemos. Mas todos sabemos que se o FMI entrar vai cortar muito mais, vai obrigar a despedimentos de funcionários públicos, vai obrigar  a mais cortes nas ajudas sociais e, possivelmente, vão aumentar os impostos. Resumindo, vão impor um PEC IV(Ao Quadrado) . Ou seja : Nós os Portugueses (Classe média e Baixa) vamos pagar o dobro ou triplo.

Porque razão o PSD não apresentou alternativas realistas ? Porque razão a Europa aplaude (de pé) as medidas de PEC IV e o PSD toma esta decisão vergonhosa ? Porque razão o PSD já admite subir impostos ? Porque está sedento de poder.

Não nos enganemos. O PSD se entrar para o governo vai tomar as mesmas decisões. Vão apertar ainda mais as grilhetas do nosso povo. Não têm hipótese de fugir disso. Nenhum governo tem.

Por fim, os que defendem a entrada do FMI em Portugal, como sendo a melhor solução, são muito pouco inteligentes e muito menos informados. Se estivessem informados e se a sua visão fosse um pouco além do seu umbigo, poderiam ver que o FMI não resolveu nada na Grécia e na Irlanda. Aliás só piorou mais a situação. A Grécia anda a pagar cerca de 13 % pela dívida pública e a Irlanda anda a rondar os 10 %. Por isso, alguém que defende a entrada do FMI, ou tem uma percepção da realidade muito enviesada ou vive noutro universo.

 


Foto | Rui Ornelas

 

24

03 2011

Arriscar Tem a Ver com Confiança

Arriscar tem a ver com confiança. Uma pessoa sem confiança vai tentar repetir, fazer igual aos outros, não cometer erros, que é uma ideia muito valorizada. Mas o erro está ligado à descoberta. É fundamental não ter medo nenhum do erro. O que é o erro? Eu tinha previsto ir numa determinada direcção e não fui, errei. O erro é encontrar alguma coisa, algo que se cruza com o novo, o criativo.

Gonçalo M. Tavares, in “Entrevista a MilFolhas (Público), em 8 Janeiro 2005”

Foto | krossbow

05

03 2011

“O Norte” por Miguel Esteves Cardoso

O Norte é mais Português que Portugal. As minhotas são as raparigas mais bonitas do País. O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela. As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram.

Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca. Verde-rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas.

Mais verdades.
No Norte a comida é melhor.
O vinho é melhor.
O serviço é melhor.
Os preços são mais baixos.
Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia
Estas são as verdades do Norte de Portugal

Mas há uma verdade maior.
É que só o Norte existe. O Sul não existe.
As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta.

Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte.
No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista?
No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro.
Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país

Não haja enganos.
Não falam do Norte para separá-lo de Portugal.
Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal.

Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal.
Mas o Norte é onde Portugal começa.
Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo.

Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte.

Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa.
Mais ou menos peninsular, ou insular.

É esta a verdade.

Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte. Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul – falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve – falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.

No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa.

O Norte cheira a dinheiro e a alecrim.

O asseio não é asséptico – cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho. Tem esse defeito e essa verdade.

Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas.

O Norte é feminino.

O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.

As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos.
Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas.

São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem. As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente.

Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial.

Só descomposturas, e mimos, e carinhos.

O Norte é a nossa verdade.

Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.
Depois percebi.

Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o “O Norte”.

Defendem o “Norte” em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo. Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular – o nome da sua terrinha – para poder pertencer a uma terra maior, é comovente.

No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima. Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita.
O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os- Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar.

O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm e dizer “Portugal” e “Portugueses”. No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como “Norte”. Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos?

Escrito por Miguel Esteves Cardoso

02

03 2011

Reflexão do Lobo Antunes : Vaidade e Inveja

Com o passar do tempo, há dois sentimentos que desaparecem: a VAIDADE e a INVEJA. A inveja é um sentimento horrível.Ninguém sofre tanto como um invejoso. E a vaidade faz-me pensar no milionário Howard Hughes.Quando ele morreu, os jornalistas perguntaram ao advogado: «Quanto é que ele deixou?» O advogado respondeu: «Deixou tudo.» Nin…guém é mais pobre do que os mortos.

A. Lobo Antunes, in “Diário de Notícias (2004)”

01

03 2011